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Beto Pezão

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O nome curioso explica: pés gigantes são a marca registrada das esculturas do artista sergipano. Filho ilustre do município Santana do São Francisco, José Roberto Freitas nasceu em 1952 e morou na cidade natal até os 19 anos, quando se mudou para Aracaju.

Tendo crescido sob a influência artística do pai, que realizava diversas obras em argila, Beto Pezão já fazia suas primeiras peças com 6 anos de idade. Mas o estilo que deu origem ao seu nome surgiu anos mais tarde, em 1972, a partir de um imprevisto: a falta de equilíbrio das esculturas. A solução veio em um novo formato para os pés, maiores e desproporcionais ao corpo, mas ideais para manterem a escultura firme. A idéia foi logo rejeitada pelo seu pai, mas não demorou muito a ser aceita pelas pessoas e divulgada pela mídia como uma verdadeira obra de arte.

Com o seu trabalho, Beto Pezão busca representar figuras típicas da região Nordeste. Os sertanejos, os pescadores e os lavradores de argila expressam na tristeza dos seus rostos as adversidades da vida agreste. Segurando arados ou carregando cabaças, os pés enormes estão presentes em todas as situações, inclusive em algumas imagens sacras.

Animação inspirada no sertanejo de pés grandes.

Traços fortes e detalhes marcantes. Não é à toa que as obras de Beto adquiriram fãs em todo o país. Um deles desenvolveu um curta-metragem de animação tendo como personagem principal o sertanejo de pés grandes. Mas a arte inigualável de Beto Pezão obtém repercussão não somente a nível nacional como também internacional. Sua primeira exposição no exterior foi a convite da Universidade Católica do Chile, país onde retornou para expor outras 5 vezes. Suas obras também são admiradas em Portugal. Mas, e as críticas? “Não me preocupam. Elas me ajudam a fazer um trabalho melhor”, afirma o artista.

Além de desenvolver peças sob encomenda, Beto Pezão vende obras em seu próprio ateliê, no bairro 18 do Forte, e na galeria J. Inácio, ambos localizados em Aracaju. Humilde, Beto não se vê como um ícone da cultura sergipana. Entretanto, o artista não consegue esconder a satisfação e a alegria por ter sua obra reconhecida: “o que é gratificante pra mim é apreciarem o meu trabalho”. Difícil não apreciar a originalidade de Beto Pezão. Sua arte se resume não somente ao grande tamanho dos pés mas também à grande beleza de suas famosas esculturas.